Porque é que a Festa Continente devia ser case study nas universidades

8 pensamentos sobre “Porque é que a Festa Continente devia ser case study nas universidades”

  1. Olá Francisco, sou seu leitor e espero aprender consigo para vir a ser ainda melhor que o Francisco. A minha questão é simples, mas pertinente, o modelo de valorização é meramente subjectivo ou existe algum tipo de fórmula? Pq se é subjectivo a conclusão não é factual mas meramente especulativa IMO

    1. João, obrigado pelo comment.
      Não é subjectivo. Mas também não existe uma “fórmula”: muitos modelos das ciências exactas e das ciências sociais não são dependentes de fórmulas ou algoritmos. Podem ter por base checklists (é mais este o caso), modelos de tomada de decisão, presença (ou não) de factores mínimos e necessários, etc… O Customer Experience Road Map é baseado num conjunto (vasto) de publicações científicas nas áreas do Comportamento do Consumidor, Experience Marketing e Customer Engagement (estas são as principais áreas). Estas áreas já têm um largo conjunto de procedimentos e resultados que comprovam a relação desses procedimentos com um aumento das vendas. Alguns nomes nestas investigações incluem Guilmore e Pine, Bernd H. Schmitt, Judith Zaichkowsky, Avichai Shuv-Ami, Parasuraman, MacInnis, Eric Spanderberg, Aaron Ahuvia ou o autor de Flow, Mihaly Csikszentmihalyi. Inclui também a a revisão de artigos “state of the art” nas diferentes áreas, bem como as obrigatórias escalas e métricas para as diferentes dimensões. Toda esta investigação foi então estruturada com base na minha experiência e visão do mercado, e em breve sairá um design mais intuitivo do modelo (estou a tratar disso com um designer profissional). Respondendo mais directamente à sua questão, a conclusão não é especulativa. Para que cada um dos pontos indicados tivesse a cor verde, foi necessário que a “Festa” (o objecto da análise) tivesse atingido um mínimo de pontuação (se assim se pode chamar) nas diferentes dimensões. Sendo que alguns foram marcados com cor amarela, na medida em que alguns pontos ainda poderiam ser melhor explorados (nota: o que não significa que estejam mal!). Não sei se consegui tirar a sua dúvida. Mais uma vez, o meu muito obrigado pelas palavras. Francisco

  2. Seria interessante perceber que benefícios quantificáveis que a sonae obteve com este evento.
    Isto é tornar científico o resultado da participação no evento em resultados DIRETOS para os resultados operacionais do grupo. Sem isso não passam de atos de fé.
    Parece ser um evento muito bonito, bem feito e tenho fé que vou vender muito. Se for apenas isso não serve de grande coisa.

    1. É directamente quantificativo quando inserido num orçamento de marketing, primeiro pq é maior que 0 (não fazer nada), depois pq repeditamente tem crescido todos os anos, se o orçamento para marketing é o mesmo e se crescem todos os anos é pq o marketing está a funcionar. Aliás, até acho que eles são 0 inovação, esta ideia foi copiada da TMN/MOCHE quando compraram o festival sudoeste, e funcionou, são agora claros liders quando na altura não o eram.

    2. Obrigado pelo seu comentário.

      O Marketing tem evoluído muito nos últimos 15 anos, na minha opinião. Essa evolução também se vê na capacidade que o marketing tem para “acomodar” uma visão mais psicológica e social do mercado. Sou um defensor dessa nova visão: um marketing que não está preso apenas a ferramentas analíticas e rígidas, mas que aceita conceitos como análise de atitudes, brand Attachment, Empowerment dos clientes, customer experience, etc… Do lado mais social, o marketing tem incorporado novos conceitos como responsabilidade social, responsabilidade ecológica, comércio justo ou outros. Não só o marketing, mas também a gestão, estão cada vez mais a incorporar aspectos “intangíveis e não mensuráveis” como Motivação, Liderança, Comportamento Organizacional ou outros.

      Antes de muitos conceitos de economia serem mensuráveis, também se pensava neles como coisas bonitas, mas que não serviam para grande coisa. No entanto, o seu impacto começou a ser mensurável, e tudo mudou. Alguns dos conhecimentos expostos no Customer Experience Road Map estão em fase de mensuração, mas o seu impacto existe e está comprovado (ver investigações no outro reply a este post). Aliás, muito haveria a dizer sobre o que são resultados directos de uma acção (logo, mensuração) e porque é que apenas medindo esses resultados se podem considerar que “servem para alguma coisa”. Mas isso é outra história, mais ligada ao método científico. Gostaria de deixar aqui um exemplo de um Nóbel da Economia, Daniel Kahneman, que trabalhou aspectos psicológicos com impacto significativo em Economia. Mas Kahneman era psicólogo, não economista 🙂

      Eu próprio gostaria de saber quais os benefícios quantificáveis obtidos pelo Continente. Pode ser que este post chegue a alguém da empresa que queira responder a esta questão. Mas há outros não quantificáveis em que, usando uma expressão do João, são muito acima de 0: fortalecimento de notoriedade top of mind, atitudes positivas face à marca, buzz na comunicação social, imagem de marca positiva e posicionamento reforçado, universo perceptivo ampliado, etc… Estou certo que a mensurabilidade de resultados (atenção, há várias áreas do Customer Experience Road Map que contam com estudos de relação directa com as vendas), a plena mensurabilidade, virá com o tempo e com o acumulado interesse destas áreas nos últimos tempos. Mais interesse, mais tentativas de mensuração.

      Espero ter respondido à sua questão, bastante pertinente para o post e para o próprio Marketing em si.
      Muito obrigado,
      Francisco

      1. Obrigado pela resposta.
        No entanto, infelizmente, muitas empresas continuam a considerar o montante a gastar em marketing algo baseado apenas em atos de fé.

        As campanhas que por norma apenas valorizam a marca, no final do mês contribuem zero para os resultados da empresa. A marca por si só não paga salários, logo, do ponto de vista económico não parece ser minimamente defensável. Caso consigam valorizar os intangíveis da empresa, onde se inclue a marca, a situação poderia mudar, mas mesmo assim será baseado em muitos pressupostos.

        No caso concreto, e sendo a Sonae umas das poucas empresas portugueses que está a abandonar os atos de fé e avançar para a identificarão científica dos benefícios, tenho quase a certeza que eles devem saber em detalhe o contributo de cada euro da campanha para as vendas. De modo científico, isto é, sabem de certeza o que conseguem ganhar com a campanha é mais importante o que perdem, em euros, se não fizerem essa campanha.

        A minha intervenção aconteceu no seguimento da sugestão do autor para a inclusão do referido caso nos CV das universidades portuguesas presumo que nas áreas de marketing. Considero que poderá ser incluído mas áreas de marketing, mas fundamentalmente na gestão e economia, pois é a economia que paga os atos de fé do marketing e como em qualquer euro gasto, o gestor quer sempre, mas sempre saber quantos euros vai ter de retorno e quando. Independentemente da marca se valorizar muito (o brandscore é um bom exemplo) o importante é o retorno.

        E sim, tudo pode e deve ser medido é valorizado.

        Termino com a frase mágica de Edward Deming – “In god we trust, all others must bring data”.

      2. Na minha opinião acho que esta a sobrevalorizar a Sonae e os seus gestores. Eles podem fazê-lo e por isso fazem-no, sucintamente, no final do dia são apenas “bullies” com maior conta bancária para gastar e é precisamente isso que fazem, seria muito interessante saber também se será apenas a Sonae a suportar os custos da festa, ou se os fornecedores são chamados a pagar a fatura, como de resto é pratica conhecida da empresa.

  3. Só mais uma coisa que pode ser muito pertinente, apesar de não o poder fundamentar, é o Continente que manda na Sonae e não contrário, isto também pode querer dizer muito sobre a “festa” e possíveis terceiros. Tudo isto pode trasnceder o marketing e a sua rentabilidade/efectividade, sem querer entrar em teorias da conspiração.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s